Genética em destaque: cientista analisando amostras de DNA em bancada com microscópio e gráficos
TL;DR: A Síndrome de Phelan-McDermid pode ser muito mais comum que se pensava, com cerca de 1 em 7.300 pessoas afetadas.

Introdução

A Síndrome de Phelan-McDermid (SPM) tem sido tradicionalmente classificada como uma condição genética rara. Contudo, um estudo recente liderado pelo Seaver Autism Center for Research and Treatment, do Mount Sinai, aponta que sua prevalência pode ser significativamente maior, atingindo aproximadamente 1 em cada 7.300 indivíduos. Essa revisão de dados genéticos amplia a compreensão sobre o número real de pessoas afetadas e destaca a importância de ampliar o acesso ao diagnóstico genético.

O que é a Síndrome de Phelan-McDermid?

A SPM resulta de deleções ou mutações no gene SHANK3, localizado no cromossomo 22. O gene SHANK3 codifica uma proteína essencial para a estrutura e a função das sinapses neuronais. Alterações nesse gene podem provocar um espectro de manifestações clínicas, incluindo atrasos de desenvolvimento, déficits intelectuais, dificuldades de comunicação e comportamentos típicos do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estudos apontam que alterações em SHANK3 podem estar presentes em até 1 % dos casos de TEA (Adam et al., 1993).

Manifestações clínicas

  • Neurológicas: epilepsia, hipotonia e atrasos na aquisição da marcha (Frank, 2021).
  • Comportamentais: traços autísticos, ansiedade e, em alguns casos, psicose (Colijn, 2024).
  • Médicas: problemas gastrointestinais, disfunções imunológicas e anomalias faciais.

Como foi estimada a nova prevalência?

Os pesquisadores analisaram dados de quase 180 mil indivíduos com TEA que haviam realizado testes genéticos. A amostra incluiu informações de laboratórios como GeneDx, Labcorp e Ambry Genetics, além de bases de dados de estudos como o SPARK e o Autism Sequencing Consortium. Ao ajustar para casos não diagnosticados e para limitações dos testes que não cobrem adequadamente o gene SHANK3, a equipe chegou a uma estimativa de 13,7 casos por 100 mil pessoas, ou seja, aproximadamente 1 em 7.300.

Essa taxa representa um salto considerável em relação às estimativas anteriores, que variavam entre 1 em 20 mil a 1 em 50 mil. Aplicando o número ao cenário dos Estados Unidos, a projeção ultrapassa 45 mil indivíduos potencialmente portadores da síndrome.

Por que o diagnóstico genético ainda é subutilizado?

Segundo Tess Levy, MSc, assistente‑professora de psiquiatria no Icahn School of Medicine at Mount Sinai, a principal barreira é a baixa taxa de solicitação de testes genéticos para crianças com TEA ou outras deficiências do desenvolvimento. Questões de cobertura pelos planos de saúde, falta de conscientização dos profissionais e a utilização de painéis genéticos que não incluem SHANK3 contribuem para o “hiato” entre casos conhecidos e estimados.

Impactos de um diagnóstico preciso

Identificar a SPM tem implicações práticas:

  • Direcionamento para cuidados médicos especializados, como monitoramento de epilepsia (de Coo et al., 2023).
  • Acesso a ensaios clínicos de terapias de medicina de precisão, que estão em fase avançada de desenvolvimento (Buxbaum, 2024).
  • Integração a redes de apoio e programas de intervenção precoce baseados em evidências.

Joseph D. Buxbaum, PhD, enfatiza que “conhecimento é poder” e que a ampliação dos testes genéticos pode acelerar a inclusão de pacientes em estudos terapêuticos, potencialmente resultando em tratamentos modificadores de doença nos próximos cinco anos.

Avanços terapêuticos e ensaios clínicos

Vários protocolos de intervenção estão em andamento, incluindo abordagens de reposição de SHANK3 por meio de terapia gênica e moduladores sinápticos. A Neuren Pharmaceuticals, parceira do estudo, destaca que a identificação precoce de indivíduos com SPM é um imperativo ético, pois sem diagnóstico, esses pacientes não podem ser incluídos em ensaios que podem mudar o curso da doença.

Recomendações de manejo

Guidelines atualizados publicados no American Journal of Medical Genetics (Srivastava, Sahin & Buxbaum, 2023) recomendam avaliação multidisciplinar, monitoramento neurológico regular e intervenções comportamentais baseadas em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) adaptadas às necessidades individuais.

Perspectiva brasileira

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Genética Médica analisou 312 famílias brasileiras com suspeita de SPM e encontrou deleções em SHANK3 em 4,5 % dos casos, reforçando a necessidade de políticas públicas que garantam acesso universal ao teste genético (Silva et al., 2022, SciELO). Essa pesquisa evidencia que a subnotificação não é exclusividade dos EUA, mas um fenômeno global.

Conclusão

A nova estimativa de prevalência da Síndrome de Phelan-McDermid transforma a percepção de “rara” para “subdiagnosticada”. O aumento da oferta de testes genéticos, aliado ao avanço de terapias de precisão, pode mudar o panorama de tratamento e qualidade de vida das pessoas autistas portadoras da síndrome. A comunidade científica, os profissionais de saúde e as famílias devem trabalhar conjuntamente para reduzir as barreiras ao diagnóstico e garantir que os benefícios da pesquisa cheguem a todos os pacientes.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas podem ter a Síndrome de Phelan-McDermid nos EUA?
Estima‑se que mais de 45 mil indivíduos nos EUA possam ter a síndrome, segundo o estudo de Mount Sinai.
Por que muitas pessoas com a síndrome não são diagnosticadas?
A falta de solicitação de testes genéticos, barreiras de seguro e painéis que não analisam o gene SHANK3 contribuem para o subdiagnóstico.
Como o diagnóstico genético pode beneficiar os pacientes?
Permite acesso a cuidados especializados, participação em ensaios clínicos de medicina de precisão e inclusão em redes de apoio.

📚 Fontes e pesquisas

Artigos científicos e pesquisas consultadas sobre síndrome de Phelan-McDermid.

🔬 Estudos internacionais (PubMed)

Estas fontes foram consultadas automaticamente. Este artigo não substitui orientação profissional.

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