Aposentado após 35 anos, ex-zelador processa escola por salários injustos
Após dedicar 35 anos de sua vida à limpeza e manutenção da Escola Primária Schuyler, em Kearny, Nova Jersey, Paul Rooney, um homem de 61 anos com deficiência intelectual, está processando o distrito escolar. A alegação central? Ter sido explorado e remunerado injustamente durante décadas.

Paul Rooney, que tem deficiência intelectual, trabalhou como zelador escolar em Kearny, N.J. por 35 anos antes de se aposentar em 2025. Ele agora está processando o distrito escolar, dizendo que se aproveitou dele e pagou-lhe US$ 15.000 por ano a menos do que seus colegas de trabalho. (Ian Peters/NJ Advance Media/TNS)
A ação judicial, movida em dezembro, alega que Rooney recebia cerca de US$ 15.000 a menos por ano em comparação com seus colegas de trabalho, mesmo desempenhando as mesmas funções básicas. A família busca, através do processo, uma compensação que consideram justa e apropriada, estimando que Rooney tenha sido lesado em mais de US$ 200.000 em salários perdidos e futuros benefícios de aposentadoria.
Uma rotina e um senso de propósito
Para Paul Rooney, o trabalho na escola não era apenas um emprego. Era uma rotina, um senso de propósito e uma forma de contribuir para a comunidade onde cresceu. Todos os dias, ele caminhava seis quarteirões da casa de seus pais até a escola, onde varria pisos, limpava banheiros e organizava salas de aula.
Segundo seu irmão, Michael Rooney, um bombeiro aposentado, a família hesitou em entrar com a ação, mas sentiu que era necessário buscar justiça. “Não somos vingativos”, afirmou Michael. “Só queremos o que é certo e adequado.”
Alegações de exploração e discriminação
A ação judicial acusa o sistema de escolas públicas da cidade de explorar a vulnerabilidade de Rooney, violando a Lei Contra Discriminação de Nova Jersey. Alega-se que, embora os zeladores de Kearny sejam sindicalizados, o distrito impôs a Rooney um contrato individual menos favorável, limitando seu salário a US$ 45.000, apesar de sua capacidade de leitura ser equivalente à de uma criança de 8 ou 9 anos.
Deduções sindicais sem representação?
Um ponto particularmente controverso é a alegação de que as taxas sindicais eram regularmente deduzidas do salário de Rooney, mesmo que ele aparentemente não fosse representado pelo sindicato, a Associação de Funcionários Escolares de Kearny. A reportagem tentou contato com a associação, sem sucesso.
A lei exige que os empregadores acomodem trabalhadores com deficiência e os remunerem de forma justa, reconhecendo que suas limitações muitas vezes não impedem o desempenho de suas funções. No entanto, defensores dos direitos das pessoas com deficiência afirmam que o tratamento desigual ainda ocorre, muitas vezes sem ser denunciado, por medo de represálias.
Resposta do Distrito Escolar
Em uma declaração, o distrito escolar negou veementemente qualquer irregularidade no tratamento de Rooney e se mostrou confiante de que será absolvido das acusações. Embora não tenha abordado as alegações específicas da ação, o distrito afirmou que há “outro lado desta questão” que será apresentado no decorrer do processo legal no Tribunal Superior do Condado de Hudson.
“O Distrito Escolar de Kearny nega categoricamente qualquer impropriedade em relação ao emprego do Sr. Paul Rooney”, escreveu Kenneth Lindenfelser, advogado do distrito.
A trajetória de Paul Rooney
Rooney, o mais novo de três irmãos nascidos na Escócia, imigrou com seus pais para os Estados Unidos na década de 1970. Sua deficiência cognitiva remonta a um acidente na infância, quando caiu de uma cadeira e bateu a cabeça, desenvolvendo posteriormente epilepsia, de acordo com Michael Rooney, que cuida do irmão.
Durante a maior parte de sua vida, Rooney foi cuidado por seus pais, agora falecidos. Ele frequentou aulas para pessoas com necessidades especiais em Kearny e conseguiu se formar no ensino médio, embora tenha levado alguns anos a mais do que o normal.
Rooney começou a trabalhar para o distrito em 1989, após ser incentivado por sua mãe. Ele passou toda a sua carreira no mesmo prédio, começando com um salário de US$ 5 por hora.
“O emprego mais longo que tive”, disse Rooney durante uma entrevista recente ao NJ Advance Media, com sua fala lenta e trabalhosa. “As crianças não queriam que eu fosse embora.”
Enquanto seu irmão e seu advogado, Eric Kleiner, detalhavam o caso, Rooney permaneceu em silêncio à mesa da cozinha de seu apartamento, com as mãos cruzadas à frente dele.
Com óculos e cabelos grisalhos raleando, Rooney não teve dificuldade em descrever as tarefas de seu antigo trabalho – desde recolher caixas de pizza até esfregar o chão e jogar o lixo fora – ou o horário de trabalho das 7h30 às 16h30.
Michael Rooney descreveu seu irmão como amigável e ansioso para agradar, e disse que ele nunca enfrentou problemas disciplinares em seu tempo na escola.
“Eu digo a Paul, ‘Sabe, estamos orgulhosos de você'”, disse seu irmão. “‘Você realizou 35 anos de trabalho.'”
A descoberta da disparidade salarial
Foi quando Rooney se preparava para se aposentar que Michael Rooney disse ter percebido que seu irmão estava recebendo menos do que os outros. Michael disse que pediu explicações aos funcionários da escola, mas foi rejeitado.
“Ninguém realmente queria abordar a questão”, disse Michael Rooney. “Ninguém quer assumir a responsabilidade por como isso aconteceu ao longo de todos esses anos.”
Um precedente perigoso?
O caso de Rooney não é um caso isolado. Kleiner, o advogado da família, já havia representado um zelador com deficiência intelectual em um caso semelhante contra o Distrito Escolar de Bloomfield, que resultou em um acordo de US$ 150.000. Embora o distrito tenha negado irregularidades, o zelador em questão, David Quinlan, recebia apenas o salário mínimo e nunca recebeu benefícios de saúde, pensão, férias ou licença médica.
Mercedes Witowsky, diretora executiva do Conselho de Deficiências de Desenvolvimento de Nova Jersey, expressou decepção com alegações como as de Rooney e Quinlan, mas acredita que sejam raras. Ela observou que ambos os homens foram contratados em uma época em que havia menos recursos para pessoas com deficiência e que, no mundo de hoje, existem mais sistemas de apoio para protegê-las.
Kleiner, no entanto, suspeita que existam outras famílias em Nova Jersey com queixas semelhantes. Ele ressalta que é caro, demorado e estressante processar o governo, o que torna litígios como o de Rooney tão importantes. “Paul vai acabar carregando um manto, sabe, para todos os outros Pauls”, disse Kleiner.
