Nichole e Matthew Lowther brincam na sala de estar. Nichole não foi diagnosticada com autismo até que seu filho Matthew fosse diagnosticado. (David Swanson/The Philadelphia Inquirer/TNS)
Estudo Revela que Diagnóstico de Autismo em Meninas Pode Estar Sendo Subestimado
Por muito tempo, acreditou-se que o autismo era muito mais prevalente em meninos do que em meninas. No entanto, novas descobertas de um estudo que analisou dados de mais de três décadas sugerem que esse pode não ser o caso. A pesquisa aponta para uma necessidade urgente de reavaliar os critérios de diagnóstico e o acompanhamento clínico, especialmente em relação às meninas.
Pesquisadores analisaram as taxas de diagnóstico de autismo para mais de 2,7 milhões de pessoas nascidas na Suécia entre 1985 e 2022, usando dados de um registro nacional de saúde. Eles descobriram que, aos 20 anos, as chances de autismo eram quase as mesmas em homens e mulheres. Essa constatação desafia a percepção tradicional sobre a prevalência do autismo.
O que diferenciou os gêneros foi a idade do diagnóstico. Os meninos eram mais propensos a serem identificados na infância, enquanto a taxa de prevalência em meninas alcançava a dos meninos durante a adolescência. Isso sugere que o autismo em meninas pode estar sendo mascarado ou diagnosticado tardiamente.
“As descobertas indicam que a proporção entre homens e mulheres com TEA diminuiu ao longo do tempo e com o aumento da idade no diagnóstico”, conclui o estudo publicado esta semana na revista The BMJ. “Essa proporção entre homens e mulheres pode, portanto, ser substancialmente menor do que se pensava anteriormente, a ponto de, na Suécia, não ser mais distinguível na idade adulta.”
De modo geral, o estudo descobriu que as taxas de diagnóstico de autismo aumentavam a cada intervalo de cinco anos à medida que as crianças cresciam, mas para os meninos o pico ocorreu entre os 10 e 14 anos, enquanto a taxa entre as meninas atingiu o pico entre os 15 e 19 anos. Essa diferença na idade do diagnóstico levanta questões sobre as razões por trás do atraso na identificação do autismo em meninas.
Caroline Fyfe, do Karolinska Institutet, na Suécia, e seus colegas afirmaram que o estudo “destaca a necessidade de investigar por que meninas e mulheres recebem um diagnóstico de TEA mais tarde do que meninos e homens”. A pesquisa abre caminho para investigações mais aprofundadas sobre as diferenças de gênero na apresentação do autismo.
Em um editorial que acompanhou o estudo, Anne Cary, defensora dos pacientes, observou que as mulheres são frequentemente diagnosticadas erroneamente com condições psiquiátricas. Esse diagnóstico incorreto pode atrasar o acesso ao tratamento e ao suporte adequados.
“Elas são forçadas a se defenderem para serem vistas e tratadas adequadamente: como pacientes autistas, tão autistas quanto seus colegas do sexo masculino”, escreveu Cary. A necessidade de auto-advocacia destaca os desafios enfrentados pelas mulheres autistas para obter o reconhecimento e o apoio de que precisam.
Apresentação Atípica e Viés Clínico: Desafios no Diagnóstico de Autismo em Meninas
Jorge Aguado, psicólogo clínico da Universidade de Barcelona, na Espanha, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que as meninas geralmente exibem melhores habilidades sociais e mais desenvolvimento da linguagem quando são jovens, mascarando os sinais de autismo, mas que um declínio social pode acontecer durante a puberdade. As expectativas sociais e o viés clínico também provavelmente desempenham um papel.
“Essas descobertas nos convidam a revisar e adaptar nossas práticas de triagem e diagnóstico, e também a ajustar as intervenções para garantir uma identificação mais equitativa e um apoio clínico e educacional mais oportuno e eficaz para meninas e adolescentes”, disse Aguado. A adaptação das práticas de diagnóstico é essencial para garantir que as meninas autistas recebam o apoio de que precisam.
A Importância do Diagnóstico Precoce de Autismo em Meninas
O diagnóstico precoce de autismo em meninas é crucial para garantir que elas recebam o suporte e as intervenções adequadas o mais cedo possível. Um diagnóstico tardio pode levar a dificuldades emocionais, sociais e acadêmicas, além de aumentar o risco de comorbidades, como ansiedade e depressão. A identificação precoce permite que as famílias e os profissionais trabalhem juntos para desenvolver um plano de tratamento individualizado que atenda às necessidades específicas de cada menina.
Sinais de Alerta e a Busca por Diagnóstico de Autismo em Meninas
É fundamental que pais, educadores e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais de alerta de autismo em meninas. Embora os sinais possam variar de uma pessoa para outra, alguns indicadores comuns incluem dificuldades na interação social, interesses restritos e repetitivos, sensibilidade sensorial e dificuldades de comunicação. Ao notar esses sinais, é importante buscar uma avaliação diagnóstica completa com um profissional qualificado. O processo de diagnóstico pode envolver entrevistas, observações e testes padronizados para avaliar o comportamento e as habilidades da criança.
A conscientização sobre o autismo em meninas é fundamental para garantir que elas recebam o apoio e a compreensão de que precisam para prosperar. Ao desafiar os estereótipos de gênero e promover uma maior compreensão das diferenças individuais, podemos criar uma sociedade mais inclusiva e acolhedora para todas as pessoas autistas.
É importante ressaltar que cada pessoa autista é única e que o autismo se manifesta de maneiras diferentes em cada indivíduo. Portanto, é essencial evitar generalizações e focar nas necessidades e nos pontos fortes de cada pessoa. Ao trabalhar juntos, podemos criar um mundo onde todas as pessoas autistas possam alcançar seu pleno potencial.
